sexta-feira, 20 de maio de 2016

Entrevista a José Maria Bettencourt

A entrevista feita ao forcado José Maria Bettencourt teve como principal objetivo deixar que quem ainda não o conhece, possa saber mais sobre ele e o que ele sente neste seu novo caminho que terá inicio no próximo domingo.

1 – Quem é José Maria Bettencourt?
Considero-me uma pessoa de forte convicção, gosto de me entregar a 200% às causas e instituições nas quais acredito, exemplo disso é o GFA Aposento da Moita, desde o primeiro momento acreditei no valor desta instituição e por isso entreguei-me de corpo e alma aos seus valores e à sua história. 

Sou também uma pessoa de ideias fixas, por vezes teimosa, característica que por vezes me ajuda, mas também confesso que por vezes não me é tão benéfica. Acredito na hierarquia, no respeito pelos outros, dou grande valor à amizade, valores que encontrei e desenvolvi nos forcados, mais precisamente no GFA Aposento da Moita.

2 – Na tua família há ligação à tauromaquia?
É uma pergunta que já me foi feita várias vezes e que acho interessante, pois a minha família não é o exemplo típico de tradição tauromáquica. Normalmente os forcados têm sempre na família antigos forcados ou alguém ligado às atividades tauromáquicas.
Na minha família tive 1 pessoa, o meu primo e padrinho Filipe Moura que foi forcado do GFA Caldas da Rainha, mas não foi a pessoa que me criou o “bichinho” da tauromaquia. Esse papel pertenceu ao meu pai, que apesar de não ter tido nenhum papel activo em nenhuma atividade tauromáquica, tem uma afición enorme, vive a festa dos toiros como ninguém. Desde pequeno me levou a mim e ao meu irmão às corridas, juntamente com o Padre Vítor Melícias, grande amigo da família e grande aficionado também. Foi então assim que se criou a ligação à tauromaquia na família Bettencourt, para grande orgulho do meu pai e espero que continue.

3 – Porque escolheste o Aposento da Moita para ser forcado?
Não é, mais uma vez, uma história típica de entrada num grupo de forcados. Normalmente os forcados vão treinar a primeira vez aos grupos através de amigos que já lá estejam. Eu na altura tinha 14 anos, não tinha nenhum amigo a treinar em grupo nenhum.
A história começa quando o meu pai conheceu o Rodrigo Castelo (antigo elemento do GFA Aposento da Moita) por motivos profissionais, rapidamente criaram uma grande amizade e da mesma maneira o Rodrigo convenceu (facilmente) o meu pai a levar-nos a um treino do grupo. O meu pai assim o fez, lembro-me de estar à mesa sentado a jantar quando perguntou ao meu irmão se gostava de ir experimentar um treino a um grupo de forcados, a reação foi de espanto tanto da minha parte como do meu irmão. Na altura não era suposto eu ir treinar, visto que com 14 anos seria um pouco cedo de mais aos olhos dos meus pais.
Na verdade fui ver o treino do meu irmão no Aposento da Moita e acabei também por treinar, na altura na quinta do cabo, Tiago Ribeiro. Foi o primeiro de muitos e ainda bem que assim aconteceu.

4 – Como te defines enquanto forcado? Qual o tipo de toiro que preferes?
É uma pergunta difícil de responder, mas penso que sou um forcado principalmente disciplinado, que gosta de aprender muito com os mais velhos e com os grandes exemplos da forcadagem nacional. Sempre gostei de seguir a maneira de pegar daqueles que mais gostava de ver realizar esta arte. Sou um forcado persistente, gosto dos grandes desafios e dos grandes palcos, sou calmo e paciente.
Não consigo especificar muito bem qual o toiro que prefiro, já peguei alguns e todos com as suas características próprias típicas das diferentes ganadarias. Tentando explicar, gosto de um toiro que me obrigue a pensar, gosto que seja difícil de interpretar, que me obrigue a delinear a melhor estratégia para o pegar com a maior perfeição possível. Acho que isto se deve a ser um forcado exigente comigo mesmo, por isso gosto de um toiro que exija de mim o melhor.

5 – Apesar de jovem, tens já alguns anos como forcado. Qual o momento que consideras ter sido o mais positivo? E o mais negativo?

O momento mais positivo é fácil de responder, foi a primeira vez que me fardei e acabei por pegar pela primeira vez, no dia 19 de Maio de 2007, em Vendas Novas. Foi o momento mais positivo e mais importante até hoje, pois foi quando senti que o cabo, na altura Tiago Ribeiro, me reconheceu capacidade e valor para vestir a jaqueta do GFA Aposento da Moita. Vou guardar para sempre na minha memória esse dia e esse momento.

O momento mais negativo, foi sem dúvida alguma, aquele que me fez refletir mais do que uma vez se queria continuar a ser forcado, o acidente do Nuno de Carvalho “Mata”, foram momentos muito duros, momentos que me fizeram tremer a mim e ao grupo, abanaram toda uma estrutura com já vários anos de história. Não posso deixar de referir uma frase que me fez recuperar a vontade de ser forcado e que demonstra bem a coragem, valentia, grandiosidade e força desse exemplo que é o Nuno de Carvalho, frase essa que foi dita na primeira vez que o grupo se juntou todo ao mesmo tempo com o Nuno depois do acidente: “Não façam com que o que me aconteceu tenha sido em vão!”

6 – No ano de 2016 haverá mudança de cabo no Aposento da Moita. Foi fácil aceitares a proposta para sucederes ao José Pedro? Porquê?
Aceitei este desafio, após uma grande ponderação. Julgo que não seria justo tomar uma decisão de tamanha importância de ânimo leve.
Ser cabo do Aposento da Moita é uma enorme responsabilidade, contudo isso não será um obstáculo, até porque gosto de a ter. A responsabilidade não só é importante nos forcados mas sim em tudo na vida, se não a tivermos um dia, não seremos lembrados por motivo algum deixando assim que a vida nos passe ao lado. Gostava de um dia, quando for mais velho, puder desfrutar daquilo que fiz. 

Contudo tive de ponderar muito sobre esta decisão. O Aposento da Moita tem uma Historia que apesar de curta, é muito rica e intimida qualquer um. Com todas estas razões, surgiram algumas questões sobre as quais tive de ponderar.
Estou muito contente com a decisão que tomei, apesar de algum nervosismo por poder errar. Simplesmente não deixo que isso me atrapalhe, até porque sei que errar é humano.

7 – Quais julgas terem sido os pontos fortes que levaram a que a escolha para novo cabo recaísse sobre ti, para comandares o Aposento da Moita?
Não acho justo falar dos pontos fortes que levaram a que eu fosse o escolhido para suceder o Zé Pedro, até porque o grupo é constituído por vários elementos e cada um deles deve ter as suas razões para me considerar o elemento indicado para comandar o grupo nos anos que se seguem. Aquilo em que confio é na amizade daqueles que me elegeram e que aceitaram serem comandados por mim a partir do dia 22 de Maio de 2016, isso sim, para mim, é o meu ponto forte, ter a amizade e a confiança de todos eles.

8 – Que mensagem gostarias de deixar à família do Aposento da Moita?
Numa altura conturbada do nosso mundo taurino, queria deixar uma mensagem de esperança!
Esperança num futuro promissor para o nosso grupo, não pelo facto de ser optimista, mas porque acredito na força de todos os que comigo querem vestir a jaqueta do Aposento da Moita! Não vai ser fácil o percurso que tenho delineado, mas tenho a certeza que com a ajuda de todos será possível!

Vai ser possível, com muito trabalho e sacrifício!

Serei eu o primeiro a querer dar o exemplo, tendo a certeza que tenho comigo um grupo unido num único sentimento...a vitória!

Vamos crescer juntos, vamos seguir e honrar o legado que nos deixaram. Um grupo enorme de amigos que honraram um nome, uma jaqueta e um ideal...

Pegar toiros é uma arte que queremos aperfeiçoar todos os dias.

A amizade é um sentimento que queremos cultivar, assim como todos os valores que fazem de nós homens diferentes mas mais próximos...

Queremos crescer e dizer aos nossos que também nós tivemos a honra de vestir um dia a jaqueta do GFA Aposento da Moita.

Vai ser possível convosco, com a ajuda daqueles que antes de nós se fardaram e connosco estarão sempre presentes!

Porque acredito que só existe um Aposento da Moita, aquele que foi fundado pelo José Manuel Pires da Costa.

Não há espaço, entre amigos para federações, nem fações nem diferentes interpretações da verdadeira amizade!

Serei vosso ouvinte, amigo, confidente...mas serei tão duro convosco como serei comigo mesmo!

Conto com todos para me ajudarem, nesta tarefa tão difícil que recebo de todos, e que convosco quero levar até ao topo.


1 comentário:

Rui Ludovino disse...

Grande Entrevista Zé Maria.
As tuas convições, vontante e verdade são impressionantes
de certeza absoluta vais ter muito sucesso

Viva o Aposento da Moita
Abraço