quarta-feira, 10 de julho de 2019

Crónica da corrida de Coruche...por Bernardo Ortigão Costa

No passado dia 6 de Julho o nosso grupo foi a Coruche para a terceira corrida da temporada! Uma corrida mista de homenagem a Manel Badajoz!
Faziam parte do cartel Luís Rouxinol, Ana Batista, Manuel Telles Bastos, João Moura Jr, Nuno Casquinha e Diogo Peseiro. As pegas a cargo do grupo de Coruche e do nosso grupo e touros da ganadaria de São Torcato.
Para pegar o nosso primeiro touro o cabo Leonardo Mathias escolheu o forcado João Ventura para pegar, Manuel Mendes para dar primeiras, António Ramalho e Rúben Serafim nas segundas, Luís Fera a rabejar, Pedro Santiago, José Maria Ribeiro da Costa e eu para dar terceiras. Há que referir que o touro durante a lide colheu a cavaleira Ana Batista com alguma gravidade tendo recolhido à enfermaria não sendo por isso o touro lidado até ao fim. Toca para a pega e o grupo faz o seu brinde a António Badajoz irmão do homenageado, tudo normal até agora mas eis senão quando o touro investe na trincheira partindo um corno e por ordem do director de corrida não pode ser pegado! Sendo o director de corrida a autoridade máxima numa praça de touros têm que se respeitar as suas decisões...


Em relação ao nosso segundo e último touro o cabo voltou a escolher o mesmo grupo para a pega. João Ventura faz uma primeira tentativa e sai da cara do touro antes da entrada oportuna dos ajudas tendo o touro sido bastante violento. Na sua segunda tentativa fica desmaiado sendo dobrado por Luís Fera que faz mais duas duras tentativas ficando também ele desmaiado numa altura em que o touro continuava a não querer dar tréguas e a ser muito duro. Para dobrar o Luís Fera veio o cabo Leonardo Mathias que o pegou a sesgo.


Acabava assim a prestação do nosso grupo que não foi de longe como queríamos. Contudo o grupo nunca virou a cara à luta e resolveu da forma possível e mais digna a situação. Queremos sempre pegar os touros à primeira mas nem sempre é possível, como ficou bem patente nesta corrida o touro é quem manda.

Em relação aos lesionados o João Ventura já se encontra em casa desde a madrugada de domingo estando já recuperado.
O Luís Fera felizmente já está melhor, estando ainda internado no hospital de São José mas a melhorar significativamente... 

Ao João Moura Jr. uma palavra de força neste momento pela perda do seu cavalo e à cavaleira Ana Batista que recupere rápido do enorme susto que sofreu!

Acabo assim esta crónica agradecendo e enaltecendo o forcado Luís Fera, são poucas e difíceis de escolher as palavras para descrever o que faz, o quanto gosta e dá pelo grupo. Um verdadeiro exemplo para todos nós ... muito obrigado Ferinha !


Pelo Aposento da Moita vai a cima...


Agradecimento- Fotos Tiago Caeiro Caeiro pela reportagem

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Crónica da Moita...por João Vasco Ventura

Apesar de já chegar com alguns dias de atraso, fruto de algum trabalho acumulado, foi com enorme satisfação que acatei o pedido de escrever a crónica da corrida da nossa terra, e são dias como o de 26 de Maio que nos enchem o coração de orgulho.

O curro de toiros da mítica ganadaria Palha adivinhava-se sério, com pesos compreendidos entre os 470 e os 580 kilos. No geral deram um bom jogo para as lides a cavalo, com especial destaque para o último e mais pesado da corrida (580 kilos), lidado por Luis Rouxinol Jr. proporcionando uma lide alegre e com emoção, chegando com força ao público que nesse dia preenchia cerca de ¾ de casa da Daniel do Nascimento.

No que diz respeito à parte de pegar toiros, foi uma tarde redonda para todos. Foram caras pelo nosso grupo o Cabo Leonardo Mathias, João Vasco Ventura e Martim Cosme Lopes. Todas as pegas foram efetuadas ao primeiro intento, com brio e mérito de cada um dos 8 elementos dentro de praça.
Para o primeiro toiro da nossa ordem, com 520 kilos, abriu praça o Cabo. Gesto enorme de valentia, de querer e de exemplo para com o resto do grupo. Citou sereno, com todos os tempos que uma verdadeira pega de caras exigem. Tive a felicidade de ser eu próprio a colocar o toiro, sendo que tal me permite escrever que desde o momento que o “Tato” colocou o barrete na cabeça, tive a certeza absoluta que seria uma pega cheia de alma. Citou, templou e mandou! O toiro arrancou franco, com pata, e após uma reunião perfeita com o forcado da cara, efetuou a viagem com a cara no ar. O grupo ajudou em bloco, como em todas as outras pegas, sendo que a nível pessoal, grande parte do mérito da corrida vai para eles.

Para o segundo toiro da corrida, com 500 kilos, o cabo delegou-me a responsabilidade de o pegar. Não irei falar sobre mim, mas sim sobre o grupo de 7 irmãos que foram comigo para a “batalha”. Com uma primeira ajuda de luxo por parte do Manuel Mendes, dois pilares como o António Ramalho e o Zé Maria Ribeiro da Costa, e uma “muralha da China” com o Bernardo Ortigão Costa, o Pedro Santiago e o Duarte Roxo, a pega resolveu-se logo na primeira tentativa. Realço ainda a experiência e segurança que um rabejador como o Luis Fera transmite, tornando tudo ainda mais fácil. O meu “Olé” para os 7.

Para o último touro da corrida, o mais pesado e sério, o cabo apostou. E apostou certo. Vindo recentemente de outro grupo, o Martim foi chamado à responsabilidade. Creio que não esperava, mas também sempre nos foi incutido que a partir do momento em que estamos fardados, temos de estar prontos para tudo. E o Martim provou que estava. Citou sereno, ganhando terreno ao toiro, prevendo uma reunião dura. E foi. Este arrancou a “mil à hora”, colocou a cara alta e juntamente com o Martim protagonizaram uma pega vistosa. Fugiu ao grupo, sendo ajudado de forma GIGANTE pelo Martim Afonso Carvalho, sendo que foi parado nas 3ªs ajudas, já junto às tábuas. Creio que não podia ter havido melhor estreia para o Martim com a jaqueta do Aposento da Moita, pelo que desejo que esta tenha sido a primeira de muitas pegas com o peso de 44 anos de história.

Deixo também uma palavra de apreço pelo grupo de Vila Franca, que teve o gesto de nos brindar o primeiro toiro deles, bem como pela excelente prestação que tiveram em praça, concretizando igualmente 3 pegas à primeira tentativa.

A celebração da corrida foi protagonizada numa casa que nos é muito querida. Jantar à “antiga” na Casa das Enguias, onde o Tó Manel nos acolheu de braços abertos.

Pelo Aposento da Moita vai acima, vai abaixo, vai ao meio....e bota abaixo!

João Vasco Ventura