Numa tarde
de outono veraneante, a praça de toiros João Branco Núncio, em Alcácer do Sal,
preencheu cerca de meia casa (principalmente no lado da sombra).
O Aposento
da Moita partilhou cartel com os Amadores de Montemor, para enfrentar toiros da
ganadaria Jorge Mendes.
Os toiros
pisaram todos a arena com muita pata (à excepção do primeiro), mas rapidamente
foram gastando as “pilhas”.
Ao Aposento
da Moita estavam destinados os 2º, 4º e 6º toiros, com pesos de 500kg, 550kg e
555Kg, respectivamente.
Para o
primeiro toiro do lote “moitense” foi escolhido o forcado João Gomes, que
brindou ao público e iniciou um cite bonito, mostrou-se ao toiro e no momento
da reunião aguentou ao limite para se fechar à córnea com o restante grupo a
ser coeso nas ajudas.
Para a cara do
primeiro toiro da segunda metade da corrida foi o forcado Leonardo Mathias, que
citou bem, colocou o toiro com ele, mas no momento da reunião o toiro “despachou”
o forcado que se tentou fechar à córnea.
Na segunda tentativa, novamente bem no cite, novamente o forcado a fechar-se à córnea
e o toiro não derrotou, mas empurrou até às tábuas, local onde a pega pôde
finalmente ser consumada.
A fechar a
tarde/noite, Martim Afonso Carvalho. Esteve bem a citar o toiro, com a calma
que o caracteriza, reuniu bem com um toiro que marrou baixo e fechou-se na
perfeição para não mais sair. Este último toiro também empurrou, deixou ajudas
pelo caminho, tendo a pega sido consumada nas tábuas.
Os três
toiros foram rabejados por Fábio Matos. João Bão
A corrida de
quinta feira nocturna da Moita é, por norma, o ponto alto da temporada do
Aposento da Moita. Numa temporada em que (estranhamente) as oportunidades não
têm sido muitas, esta seria uma (espécie de) prova de fogo.
A confiança
entre os elementos do grupo era enorme e não estavam errados, pois a noite foi
de triunfo.
Numa “Daniel
do Nascimento” cheia (mas não esgotada), o cabo José Maria Bettencourt deu o
exemplo e foi para a cara do primeiro “Passanha” da noite.
Começou o
cite dando mais de meia praça ao oponente, citou com classe, autoritário a
colocar o toiro consigo. Ao carregar a sorte, o toiro arrancou, humilhou e
permitiu que o José Maria se fechasse à barbela, efectivando assim a primeira
pega da noite.
Para a cara
do segundo toiro foi escolhido o jovem Marcos Prata.
O “franzino” Marcos foi decidido e confiante para a cara do toiro que no
momento da reunião parece ter feito um “estranho”, mas a vontade de lá ficar
era imensa.
Fechou-se à córnea, aguentou ser arrastado pela arena, aguentou um forte
derrote e manteve-se sempre agarrado à córnea do toiro, com o grupo a ajudar de
forma eficaz. Estava assim consumada a primeira pega do Marcos com a jaqueta do
Aposento da Moita, saindo no entanto lesionado.
Para fechar a primeira parte da corrida, havia o terceiro toiro para pegar,
tendo sido escolhido o (já) experiente João Ventura.
O João foi com vontade de “despachar” a sorte e tentou ter o toiro com ele
desde início. O toiro que parecia ter fixado o forcado, acabou por se
desinteressar, tendo o João que voltar a captar a atenção do hastado. Depois de
o conseguir, não houve sequer oportunidade para carregar, pois o toiro
arrancou-se de pronto e a pega foi exemplarmente consumada à primeira
tentativa.
O quarto
toiro da noite foi pegado por Leonardo Mathias, forcado experiente, já com
provas dadas e que esteve elegante no cite. Na primeira tentativa tentou
fechar-se à barbela, mas o toiro veio de cara por baixo e dificultou a entrada
dos ajudas, deixando o forcado da cara por terra. Na segunda tentativa, com o
toiro noutros terrenos, o Leonardo entrou nos terrenos do toiro, conseguiu
“sacar-se” exemplarmente, e agarrou-se para não mais sair. Consumou assim à
segunda tentativa com boa ajuda de Manuel Mendes.
Para o
quinto toiro, duas despedidas.
O excelente ajuda (um dos melhores dos últimos anos em praças lusas) Bernardo
Cardoso decidiu que era chegada a hora da despedida e quis fazê-lo na cara de
um toiro. Teve como parceiro, no adeus, outro grande ajuda do grupo, José Maria
Ferreira “Zó”.
O Bernardo,
que além de excelente ajuda foi também óptimo cernelheiro, citou em passo
rápido, mas a mostrar-se bem ao toiro. Entrou-lhe nos terrenos, recuou pouco,
mas fechou-se com uma vontade enorme. Boa a ajuda do José Maria Ferreira e do
restante grupo. Um adeus com chave de ouro para ambos, que deram volta à arena
com o cavaleiro.
O escolhido
para executar a pega ao sexto toiro foi Martim Afonso Carvalho. Um forcado
polivalente, que já tinha ajudado nos cinco toiros anteriores.
O Martim esteve bem no cite e mesmo tendo tropeçado ao recuar, conseguiu
fechar-se à barbela do toiro que entrou com pata pelo grupo e que só foi parado
nas terceiras ajudas.
Em sétimo
lugar havia um novilho para pegar e o escolhido foi João Gomes. O João é
pequeno, “franzino”, mas cheio de garra e já mostrou noutras ocasiões que é um
forcado com quem se deve sempre contar.
Após uma primeira tentativa em que o novilho vai aos joelhos do forcado da cara
e uma segunda onde os ajudas parecem não ter chegado a tempo, a pega acabou por
ser consumada à terceira tentativa.
Nota final
para Luís Fera, um “veterano” das arenas, que rabejou com mestria os 6 toiros e
o novilho, sempre de sorriso no rosto, contagiando a bancada e também todo o
grupo.
O grupo recebeu uma enorme ovação no fim da corrida.
"Na sequência da notícia
lançada hoje no Farpas Blogue, que noticiava uma futura transição de Cabo, e o
posterior comunicado do GFA Aposento da Moita, venho pessoalmente esclarecer os
mesmos de maneira a evitar mal entendidos.
O cenário de transição foi,
depois de muita ponderação uma intenção minha, que mais tarde foi então
conversada com o grupo actual tendo em vista uma preparação para tal ocorrência
e permitindo a melhor sucessão possível de
maneira a salvaguardar os interesses do GFA Aposento da Moita.
Confirmo
assim uma intenção de transição da minha parte, contudo não existe ainda um
futuro Cabo nem uma data possível para tal, sendo que o mais provável será Maio
de 2019 e não em Setembro deste ano.
A
razão de não existir nenhum sucessor, tal como foi noticiado, provém do facto
de o grupo ter como intenção uma preparação de vários elementos para que mais
tarde se possa então proceder à eleição de um futuro Cabo e pelo facto de esta
intenção ser bastante recente e o grupo querer proceder a uma transição natural
e cuidadosa.
Os
rumores surgiram de facto de uma conversa entre o Miguel Alvarenga e dois ex
Cabos do Grupo (José Manuel Pires da Costa e João Simões), que segundo sei
confirmaram a minha intenção mas sem anunciar um sucessor ou qualquer data para
tal acontecimento.
Apresento
também as minhas desculpas pelo facto de ter contribuído para algum mal
entendido, no que toca ao facto de não ter anunciado esta intenção
publicamente, no sentido de proteger o Grupo e permitir uma transição calma,
serena e absolutamente interna o que veio a provar-se impossível.
O
Miguel Alvarenga, enquanto jornalista e amigo, sempre respeitou o GFA Aposento
da Moita e ele próprio também assumiu o erro de não ter contactado o Cabo, nem
o Leonardo Mathias para confirmar o rumor.
Quero
com este comunicado esclarecer os mal entendidos, e contribuir assim para o bom
ambiente na Tauromaquia e assegurar que não existem quaisquer tipo de
ressentimentos com nenhum dos intervenientes neste episódio.
Deixo
ainda esclarecido que o ambiente vivido no GFA Aposento da Moita é o mais
saudável.
Inicio esta crónica
com um especial agradecimento ao nosso grande amigo “Bão”, que tão
simpaticamente nos acompanha sempre e dá voz e visibilidade ao grupo através do
seu Blog, e que me convidou a escrever estas linhas.
A tarde era
de especial emoção para mim, pois foi a última tarde que me vesti de forcado
enquanto elemento activo e uma vez mais repetia-se a efeméride do aniversário
do Glorioso Aposento da Moita.
Diogo Perdigão
O cartel
composto por seis cavaleiros confessemos que não era o grande atractivo, mas a
repetição dos toiros de Veiga Teixeira e a alternância em praça com os forcados
amadores da Moita foi o que mais expectativa deixava pairar.
O grupo
estava muito motivado, repleto de novos elementos, com “ganas” da oportunidade
chegar, e para três deles chegou neste dia. O Marco Ventura e Filipe Santos e o
Ivan tiveram a graça de se poderem fardar pela primeira vez em tão nobre praça
como é a Daniel do Nascimento. Espero que continuem a valorizar e a sentirem-se
sempre responsáveis pela jaqueta que vestem e que têm o peso de 43 anos aos
ombros. Certamente serão bem sucedidos e o cabo Zé Maria contará convosco por
muitas temporadas.
Dos três
toiros que nos tocaram em sorte, o primeiro “astado” com o peso de 470kg, negro
de capa, foi pegado pelo cabo José Maria Bettencourt. O exemplo vem de cima e
como tão bem o conhecemos não nos espanta estes detalhes do Zé Maria. Com um
cite calmo e tranquilo, com o grupo cá atrás, carregou o toiro quando decidiu,
recuou ao compasso do toiro e reuniu de uma forma dura com o toiro a por a cara
alta mas em que o grupo prontamente ajudou e fechou sem grandes dificuldades. Estava
assim dado o exemplo com o primeiro toiro pegado à primeira tentativa.
Ao segundo
toiro pegado pelo nosso grupo, saltou o Leonardo Mathias, conhecido por todos
nós como Tato. Com um cite a mandar cá de trás, a deixar-se ver e a citar de
frente, carregou no sítio em que quis mandar vir, recuou e reuniu com superior
técnica. Bem ajudado pelo grupo, em especial nas segundas e terceiras ajudas,
foi consumada a pega ao primeiro intento.
Para
encerrar a nossa actuação pegou o Rúben Serafim. A vontade de fechar com chave
de ouro era enorme mas tal não se verificou, resultando em seis tentativas para
que o grupo tivesse a pega como consumada. O toiro cresceu, ganhou sentido e
complicou a tarefa principalmente aos ajudas, terminando a pega com pouco
brilhantismo de forma sesgada, mas com enorme valentia demonstrada pelo nosso
“Broas”.
O prémio em
disputa para a melhor pega foi entregue ao grupo rival, na sua primeira pega.
Consumaram as suas duas primeiras pegas ao primeiro intento e a terceira à
quinta tentativa.
E como as
corridas só terminam no jantar, seguiu-se um jantar cheio de ambiente com
convidados, amigos e namoradas, em que se provou que o grupo está firme e com
“sede” de triunfos que certamente acontecerão vários ao longo da temporada.
Já com
saudades, agora só posso garantir que continuarei por perto e a garantir que
hei-de acompanhar sempre que possa o melhor grupo do mundo por estas praças
fora com o orgulho imenso de ter vestido a nossa jaqueta!