sábado, 21 de maio de 2016

Amanhã o Aposento da Moita muda de cabo

O Aposento da Moita terá amanhã mais uma data marcante na sua história, com a passagem de testemunho de José (Pedro) para José (Maria).

Que seja uma tarde de festa, de alegrias e de triunfos.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

Entrevista a José Maria Bettencourt

A entrevista feita ao forcado José Maria Bettencourt teve como principal objetivo deixar que quem ainda não o conhece, possa saber mais sobre ele e o que ele sente neste seu novo caminho que terá inicio no próximo domingo.

1 – Quem é José Maria Bettencourt?
Considero-me uma pessoa de forte convicção, gosto de me entregar a 200% às causas e instituições nas quais acredito, exemplo disso é o GFA Aposento da Moita, desde o primeiro momento acreditei no valor desta instituição e por isso entreguei-me de corpo e alma aos seus valores e à sua história. 

Sou também uma pessoa de ideias fixas, por vezes teimosa, característica que por vezes me ajuda, mas também confesso que por vezes não me é tão benéfica. Acredito na hierarquia, no respeito pelos outros, dou grande valor à amizade, valores que encontrei e desenvolvi nos forcados, mais precisamente no GFA Aposento da Moita.

2 – Na tua família há ligação à tauromaquia?
É uma pergunta que já me foi feita várias vezes e que acho interessante, pois a minha família não é o exemplo típico de tradição tauromáquica. Normalmente os forcados têm sempre na família antigos forcados ou alguém ligado às atividades tauromáquicas.
Na minha família tive 1 pessoa, o meu primo e padrinho Filipe Moura que foi forcado do GFA Caldas da Rainha, mas não foi a pessoa que me criou o “bichinho” da tauromaquia. Esse papel pertenceu ao meu pai, que apesar de não ter tido nenhum papel activo em nenhuma atividade tauromáquica, tem uma afición enorme, vive a festa dos toiros como ninguém. Desde pequeno me levou a mim e ao meu irmão às corridas, juntamente com o Padre Vítor Melícias, grande amigo da família e grande aficionado também. Foi então assim que se criou a ligação à tauromaquia na família Bettencourt, para grande orgulho do meu pai e espero que continue.

3 – Porque escolheste o Aposento da Moita para ser forcado?
Não é, mais uma vez, uma história típica de entrada num grupo de forcados. Normalmente os forcados vão treinar a primeira vez aos grupos através de amigos que já lá estejam. Eu na altura tinha 14 anos, não tinha nenhum amigo a treinar em grupo nenhum.
A história começa quando o meu pai conheceu o Rodrigo Castelo (antigo elemento do GFA Aposento da Moita) por motivos profissionais, rapidamente criaram uma grande amizade e da mesma maneira o Rodrigo convenceu (facilmente) o meu pai a levar-nos a um treino do grupo. O meu pai assim o fez, lembro-me de estar à mesa sentado a jantar quando perguntou ao meu irmão se gostava de ir experimentar um treino a um grupo de forcados, a reação foi de espanto tanto da minha parte como do meu irmão. Na altura não era suposto eu ir treinar, visto que com 14 anos seria um pouco cedo de mais aos olhos dos meus pais.
Na verdade fui ver o treino do meu irmão no Aposento da Moita e acabei também por treinar, na altura na quinta do cabo, Tiago Ribeiro. Foi o primeiro de muitos e ainda bem que assim aconteceu.

4 – Como te defines enquanto forcado? Qual o tipo de toiro que preferes?
É uma pergunta difícil de responder, mas penso que sou um forcado principalmente disciplinado, que gosta de aprender muito com os mais velhos e com os grandes exemplos da forcadagem nacional. Sempre gostei de seguir a maneira de pegar daqueles que mais gostava de ver realizar esta arte. Sou um forcado persistente, gosto dos grandes desafios e dos grandes palcos, sou calmo e paciente.
Não consigo especificar muito bem qual o toiro que prefiro, já peguei alguns e todos com as suas características próprias típicas das diferentes ganadarias. Tentando explicar, gosto de um toiro que me obrigue a pensar, gosto que seja difícil de interpretar, que me obrigue a delinear a melhor estratégia para o pegar com a maior perfeição possível. Acho que isto se deve a ser um forcado exigente comigo mesmo, por isso gosto de um toiro que exija de mim o melhor.

5 – Apesar de jovem, tens já alguns anos como forcado. Qual o momento que consideras ter sido o mais positivo? E o mais negativo?

O momento mais positivo é fácil de responder, foi a primeira vez que me fardei e acabei por pegar pela primeira vez, no dia 19 de Maio de 2007, em Vendas Novas. Foi o momento mais positivo e mais importante até hoje, pois foi quando senti que o cabo, na altura Tiago Ribeiro, me reconheceu capacidade e valor para vestir a jaqueta do GFA Aposento da Moita. Vou guardar para sempre na minha memória esse dia e esse momento.

O momento mais negativo, foi sem dúvida alguma, aquele que me fez refletir mais do que uma vez se queria continuar a ser forcado, o acidente do Nuno de Carvalho “Mata”, foram momentos muito duros, momentos que me fizeram tremer a mim e ao grupo, abanaram toda uma estrutura com já vários anos de história. Não posso deixar de referir uma frase que me fez recuperar a vontade de ser forcado e que demonstra bem a coragem, valentia, grandiosidade e força desse exemplo que é o Nuno de Carvalho, frase essa que foi dita na primeira vez que o grupo se juntou todo ao mesmo tempo com o Nuno depois do acidente: “Não façam com que o que me aconteceu tenha sido em vão!”

6 – No ano de 2016 haverá mudança de cabo no Aposento da Moita. Foi fácil aceitares a proposta para sucederes ao José Pedro? Porquê?
Aceitei este desafio, após uma grande ponderação. Julgo que não seria justo tomar uma decisão de tamanha importância de ânimo leve.
Ser cabo do Aposento da Moita é uma enorme responsabilidade, contudo isso não será um obstáculo, até porque gosto de a ter. A responsabilidade não só é importante nos forcados mas sim em tudo na vida, se não a tivermos um dia, não seremos lembrados por motivo algum deixando assim que a vida nos passe ao lado. Gostava de um dia, quando for mais velho, puder desfrutar daquilo que fiz. 

Contudo tive de ponderar muito sobre esta decisão. O Aposento da Moita tem uma Historia que apesar de curta, é muito rica e intimida qualquer um. Com todas estas razões, surgiram algumas questões sobre as quais tive de ponderar.
Estou muito contente com a decisão que tomei, apesar de algum nervosismo por poder errar. Simplesmente não deixo que isso me atrapalhe, até porque sei que errar é humano.

7 – Quais julgas terem sido os pontos fortes que levaram a que a escolha para novo cabo recaísse sobre ti, para comandares o Aposento da Moita?
Não acho justo falar dos pontos fortes que levaram a que eu fosse o escolhido para suceder o Zé Pedro, até porque o grupo é constituído por vários elementos e cada um deles deve ter as suas razões para me considerar o elemento indicado para comandar o grupo nos anos que se seguem. Aquilo em que confio é na amizade daqueles que me elegeram e que aceitaram serem comandados por mim a partir do dia 22 de Maio de 2016, isso sim, para mim, é o meu ponto forte, ter a amizade e a confiança de todos eles.

8 – Que mensagem gostarias de deixar à família do Aposento da Moita?
Numa altura conturbada do nosso mundo taurino, queria deixar uma mensagem de esperança!
Esperança num futuro promissor para o nosso grupo, não pelo facto de ser optimista, mas porque acredito na força de todos os que comigo querem vestir a jaqueta do Aposento da Moita! Não vai ser fácil o percurso que tenho delineado, mas tenho a certeza que com a ajuda de todos será possível!

Vai ser possível, com muito trabalho e sacrifício!

Serei eu o primeiro a querer dar o exemplo, tendo a certeza que tenho comigo um grupo unido num único sentimento...a vitória!

Vamos crescer juntos, vamos seguir e honrar o legado que nos deixaram. Um grupo enorme de amigos que honraram um nome, uma jaqueta e um ideal...

Pegar toiros é uma arte que queremos aperfeiçoar todos os dias.

A amizade é um sentimento que queremos cultivar, assim como todos os valores que fazem de nós homens diferentes mas mais próximos...

Queremos crescer e dizer aos nossos que também nós tivemos a honra de vestir um dia a jaqueta do GFA Aposento da Moita.

Vai ser possível convosco, com a ajuda daqueles que antes de nós se fardaram e connosco estarão sempre presentes!

Porque acredito que só existe um Aposento da Moita, aquele que foi fundado pelo José Manuel Pires da Costa.

Não há espaço, entre amigos para federações, nem fações nem diferentes interpretações da verdadeira amizade!

Serei vosso ouvinte, amigo, confidente...mas serei tão duro convosco como serei comigo mesmo!

Conto com todos para me ajudarem, nesta tarefa tão difícil que recebo de todos, e que convosco quero levar até ao topo.


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Entrevista a José Pedro Pires da Costa

O cabo José Pedro Pires da Costa fará a sua despedida no próximo domingo e antes da mesma respondeu a algumas perguntas para o blog do Aposento da Moita.

1- O Aposento da Moita comemorou em 2015 os seus 40 anos, enquanto cabo do grupo achas que a temporada fez jus à importância dessa data?
Os 40 anos do grupo é de facto uma data marcante, sinto-me orgulhoso por isso e principalmente por poder comemorar esse aniversário estando no activo e como cabo.

A temporada não foi exactamente aquilo que desejávamos, é verdade, houve um grande esforço por parte do grupo para que a temporada fosse recheada de corridas e nas praças mais importantes do país tal como o GFA Aposento da Moita merecia, mas não foi assim que aconteceu, o número de corridas ficou aquém do planeado, devido a várias razões que não considero ser o momento ideal para falar delas.

Por outro lado e por outra perspectiva considero que o grupo dignificou os 40 anos do GFAAM, pois com a entrega, união, amizade, sentido de responsabilidade e disponibilidade total conseguimos obter actuações de grande nível nas corridas que realizámos, tal como a história do GFAAM assim o exige.

Quero também destacar nesta temporada a ida ao Canadá, inédito na história do grupo, e a ida às Sanjoaninas, na ilha Terceira – Açores que foi também uma corrida de destaque para a temporada dos 40 anos do GFA Aposento da Moita.

2- Qual consideras ter sido o momento mais marcante da temporada?
É sempre complicado escolher um momento mais marcante, porque nesta actividade todos os momentos são marcantes, é uma actividade muito intensa que não permite que qualquer acontecimento seja encarado de uma maneira leviana.

Mesmo assim não posso esconder que, como cabo, foi muito marcante e gratificante, o grupo ter pegado 6 toiros à primeira na corrida da feira de Setembro na Moita, facto inédito.

O grupo esteve muito bem, interiorizaram com perfeição aquilo que lhes pedi na fardação e tudo correu como sonhei, 6 toiros à primeira na nossa terra, terra exigente e com grande conhecimento taurino. Foi marcante no fim da corrida ouvir as bancadas chamarem o grupo no seu todo para receber uma ovação. Na minha opinião, um cabo, não pode querer mais do que isto no fim de uma corrida.

3- Na temporada transacta 4 elementos do grupo fizeram a sua despedida das arenas e em Maio será a tua vez. Como vês o grupo nesta fase de renovação?
É sempre triste ver elementos partirem, criamos grandes laços entre nós e nunca queremos que esses laços se percam. É óbvio que não se perdem mas há sempre esse receio.

O grupo de facto estava bastante fragilizado quando eu o assumi, o acidente do Nuno Carvalho tocou-nos a todos, a moral estava em baixo e a vontade de continuar a ser forcado não era, como é aceitável, a maior. Costumam dizer que “o tempo cura tudo”, penso que aqui se passou um bocado isso, óbvio que não foi só o tempo que recuperou os elementos do grupo, foi preciso um trabalho diário tanto da minha parte e dos elementos mais velhos, trabalho esse que consistiu na moralização do grupo, unir de novo os elementos, criar um ambiente agradável e saudável que fosse chamativo para gente nova, gente que tivesse vontade de ser forcado e de pertencer ao GFAAM. Assim foi, neste momento vejo um grupo saudável, com grande vontade, um espírito inacreditável, muito jovem é verdade, pouca experiência mas com grandes capacidades. Tenho a certeza que o Zé Maria com o decorrer das corridas vai conseguir ultrapassar essa falta de experiência e tenho muita fé em relação a vários forcados do grupo, penso que podem sair do GFAAM grandes forcados a nível nacional.

4- O teu sucessor na chefia do grupo será o José Maria Bettencourt. Se tivesses que destacar alguns pontos fortes do José Maria, quais seriam?
O José Maria foi a minha escolha desde o primeiro dia em que comecei a pensar na sucessão. O José Maria é um forcado que eu acompanhei desde o primeiro dia, vi-o crescer no grupo, acompanhei-o de muito perto, até porque sou “padrinho” dele no grupo. Conheci-o com 14 anos (idade com que ele entrou no grupo), hoje ele tem 23, há 10 anos que somos amigos, grandes amigos, posso dizê-lo com toda a certeza, isto para concluir que a minha escolha foi tomada com grande certeza e consciência pois conheço muito bem o Zé Maria.

Os seus pontos fortes que gostaria de destacar são a sua teimosia, sei que pode parecer um defeito e por vezes até o pode ser, mas vi a teimosia dele muitas vezes ser um ponto forte, é persistente, uma pessoa que pensa pela sua cabeça, gosta de aprender com os outros mas ser ele próprio a construir as suas ideias, não aceita as ideias pré-elaboradas.

Para além destes pontos fortes o Zé Maria é uma pessoa muito consensual dentro da família GFAAM, isto devido à sua personalidade, é uma pessoa humilde, simpática, respeitador do próximo e cultivador da hierarquia, valores que fizeram dele um sucessor natural da chefia do GFA Aposento da Moita.

5- Gostavas de deixar uma mensagem à família do Aposento da Moita?
A mensagem que gostava de deixar já a tenho deixado ao longo do meu percurso como cabo, mas nunca é demais frisar a minha ideia e aquilo que transmiti ao grupo.

Aquilo que considero ser importante para um futuro saudável do GFA Aposento da Moita é que se unam todos no mesmo sentido, que percorram todos o caminho escolhido pelo cabo, unam a família GFAAM, pois esta é uma família muito forte e bonita, mas só tem força quando está unida. É fulcral que a família do GFAAM seja uma só e não esteja dividida em vários “clãs”.

Aquilo que queria dizer também a todos os ex-elementos do grupo é que se sejam mais assíduos nas corridas, jantares, eventos e dia-a-dia do grupo, pois não existe maneira de explicar a satisfação que vejo e via na cara dos “meus” elementos cada vez que viam chegar um ex-elemento do grupo, desejosos de ouvir as suas histórias nos jantares.
A minha mensagem pode resumir-se numa palavra, que penso ser a palavra de ordem actual: “UNIÃO!”.