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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Crónica da corrida na Figueira da Foz...por Sérgio Tente

Foi com enorme expectativa que estive no passado sábado, dia 10 de Agosto na Figueira da Foz para assistir a mais um tradicional espetáculo taurino de verão no Coliseu Figueirense.
Expectativa essa criada acima de tudo pelo facto de no cartel deste espetáculo estar o “meu” grupo de forcados, o Aposento da Moita.

O facto de ainda não ter tido oportunidade de assistir ao vivo a uma atuação do Aposento da Moita nesta temporada de 2019 fazia deste dia um dia particularmente especial já que pessoalmente tinha muita curiosidade em ver como estava o grupo dentro e fora de praça.

Ficou estipulado em conversa com o cabo Leonardo Mathias que o grupo se fardaria em minha casa e esse fator é sempre um enorme motivo de satisfação porque é a melhor forma de podermos criar laços com os elementos que conhecemos menos bem e ver quais as ganas do grupo horas antes de enfrentarem mais uma corrida que neste caso era como as anteriores de enorme responsabilidade.

Um cartel composto por 6 cavaleiros (Rui Salvador, Ana Batista, João Moura Caetano, Andrés Romero, David Gomes e António Prates) e por dois dos melhores grupos de forcados da atualidade (o Grupo de Forcados Amadores de Montemor e o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita) frente a um sério curro da ganadaria de Falé Filipe.

Começando a minha crónica propriamente dita recuamos à fardamenta para dizer que senti naquelas cerca de 5 horas antes do inicio da corrida um misto de enorme satisfação por poder estar ali com a rapaziada toda, sentir o que eles sentiam relativamente à responsabilidade da corrida, perceber o ambiente que o grupo tem internamente e também com que “matéria-prima” se rege o grupo atualmente e ao mesmo tempo alguns nervos porque comecei a viver o sentimento de responsabilidade daquela corrida.

Já com o sorteio realizado e com o conhecimento do nosso lote rumámos a casa para começar a reunir todos os elementos e começar o derradeiro foco na corrida. Durante este período e à medida que foram chegando os elementos ativos aproveitei para saber nomes, perceber o estatuto de cada um no grupo, aquilo que habitualmente fazem em praça e foi durante este período que comecei a perceber que existe um ambiente extremamente saudável entre os elementos do grupo. Apesar de se saber já que pegaríamos o maior toiro da corrida não foi isso que fez com que os constantes sorrisos e brincadeiras esmorecessem entre a rapaziada.
Educação, simpatia, noção do que é ser forcado fora de praça com um elevado grau de educação entre mais velhos e mais novos percebi imediatamente que o trabalho do cabo e dos elementos mais velhos estava a ser muito bem feito e este foi o primeiro ponto que me deixou muitíssimo agradado com a postura de todos os elementos.

Na hora de fardar e com a maioria dos forcados ativos presentes proferiu o cabo as palavras que achou serem as mais indicadas para a corrida desse dia e suas caraterísticas. Frisando a entrega de todos naquela que poderia ser uma noite dura já que como sabemos a ganadaria de Falé Filipe pode sair bastante dura e exigente para os forcados. Vi um grupo muito atento às palavras do seu cabo e vi um cabo focadíssimo em ter uma noite de triunfo, pedindo a todos os elementos uma entrega total. Percebia-se pela atitude e pelos olhos de muitos que “bebiam” as palavras do cabo e notava-se uma ansiedade tremenda em que chegasse o momento.

Escolhidos os elementos para se fardarem continuava a reinar uma união muito grande entre todos e percebi aqui que de facto a ideia que tinha do grupo sem ter aparecido era completamente diferente daquilo que via acontecer ali com um grupo que mesmo não tendo uma enormidade de elementos para fardar tinha os elementos suficientes para honrar o Aposento da Moita da mesma forma que muitos outros já o fizeram durante 44 anos da sua história.

Num aparte frisar que achei extraordinário assistir a um ritual que desconhecia de todo que foi depois de já estarem fardados os elementos juntarem-se e rezarem juntos, pura e simplesmente lindo! 
Para a corrida tive o enorme privilégio de ter recebido do Leonardo Mathias um convite para estar na trincheira com o grupo. Aceitei a senha num misto de orgulho, apreensão e responsabilidade já que ali em baixo se passa muita coisa e à que saber lá estar.

Pelas 22 horas começou a corrida com uma moldura humana interessante e expectante por um bom espetáculo de toiros.
Na trincheira vi muita concentração e muita camaradagem. A atenção de todos foi uma constante nos três toiros que nos calharam em sorte assim como aos toiros para o grupo de Montemor o que me encantou já que acho muito importante saber ver e interpretar todos os momentos da lide de um toiro e todas as caraterísticas porque cada toiro é um toiro.

O primeiro toiro que tocou em sorte ao Aposento da Moita acabou por ser o sobrero da corrida já que o primeiro toiro saiu à praça diminuído e foi dada ordem de recolha por parte do diretor de corrida. 
Assim sendo o nosso primeiro toiro foi o sobrero da corrida pesava 450kg, tinha 4 anos e era o único da ganadaria de Santos Silva. Apesar de ter pouca cara e uma córnea bastante pequena este toiro pelo seu comportamento durante a lide prometia dar uma pega bonita. Para a cara deste primeiro toiro o cabo Leonardo Mathias escolheu o Fábio Matos. Desde que saltou para a arena até ter a pega consumada à primeira tentativa o Fábio fez tudo bem. A pega começa desde que se salta para a arena e a forma como ele pisou a arena foi irrepreensível. A atitude que teve frente ao toiro, com postura e a mandar fizeram que os diferentes tempos o fizessem citar, mandar e templar de forma perfeita. Resultou numa pega bonita à primeira tentativa com o grupo a reagir atempadamente e a ajudar bem.

O nosso segundo toiro (quarto da corrida), este já da ganadeira de Falé Filipe era o maior da corrida. Pesava 585kg, tinha também 4 anos de idade e um trapio respeitável. Apesar do seu tamanho e poder este segundo toiro mostrou durante a lide um comportamento interessante e prometia dar um pegão desde que se estivesse bem com ele. Para a cara deste toiro o cabo escolheu o Martim Cosme, forcado que este ano tem feito muito boas pegas mostrando ao cabo que é um elemento que está em grande forma. A sua vontade e maturidade fizeram com que pisasse a arena com ganas de brilhar e de pegar o toiro à primeira. Infelizmente na primeira tentativa quando recuava na cara do toiro acabou por escorregar e cair não tendo a mínima hipótese de consumar aqui a pega. Na segunda tentativa carregou com alma fechando-se bem e tendo sido exemplarmente ajudado pelo Martim Afonso que deu uma primeira ajuda de antologia assim como o restante grupo que ajudou muito bem e concretizou a pega nesta segunda tentativa.
Volta ao forcado da cara e ao primeiro ajuda (merecidíssima) .

O nosso terceiro toiro (sexto e ultimo da corrida) também da ganadaria de Falé Filipe pesava 490kg (na minha opinião tinha mais) tinha também 4 anos e saiu mais reservadote. Durante a lide mostrou bom comportamento e prometia uma boa pega como os demais.
Para este toiro o Leonardo Mathias escolheu o João Gomes que pegou à segunda tentativa. Na primeira tentativa esteve muito bem em frente ao toiro, recuou e fechou-se com alma mas acabou por sair no segundo derrote o que foi uma pena. Na segunda tentativa mais uma vez esteve tremendo em frente ao toiro, pisou terrenos de compromisso e como se costuma dizer esteva algum tempo a ganhar coração já que o toiro tardou em arrancar-se estando já o João muito perto do toiro. Quando o toiro arrancou o forcado da cara sacou-se muito bem e teve uma ótima reunião sendo depois muito bem ajudado pelo grupo.

Foi uma belíssima noite de toiros na Figueira da Foz e o Aposento da Moita realizou sem dúvida uma atuação que honra os seus pergaminhos.

Sem nenhum forcado lesionado (o que é o mais importante) realizou-se o jantar do grupo onde reinou um ambiente de muita alegria o que mostrava claramente o amor que esta geração tem pelo grupo e pela forma como tenta sempre honrar a nossa jaqueta de ramagens.

Presença dos forcados antigos Manuel Duque (ex-cabo), Bernardo Cardoso, José Maria Ferreira e José Henriques e de algumas namoradas de elementos do grupo o que enriquece e muito estes jantares.

Sinto-me extremamente orgulhoso pelo que vi e senti. Grande grupo, grande ambiente!
Pelo Aposento da Moita vai acima….
Sérgio Tente

Fotografias: João Dinis e Monica Mendes

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Crónica da novilhada em Albufeira...por Manuel Mendes

Foi o 6° espectáculo do nosso grupo esta temporada, em que desta vez foram os juvenis do Aposento da Moita a pegar uma novilhada na praça de toiros de Albufeira.

Com um cartel de dois cavaleiros praticantes (Nelson Limas e Manuel de Oliveira), a novilheira Maria del Mar, e os novilhos da ganadaria Fernando dos Santos.



A exigência era máxima e o sentimento de responsabilidade era grande, era necessário dar mais opções ao cabo para o resto da temporada. 


O primeiro novilho da noite, foi chamado à responsabilidade o forcado Filipe Santos a um novilho com pouca cara mas, com uma boa apresentação.
O Filipe citou a meia praça, o novilho investe solto, tendo que aguentar essa mesma investida, e efectuando uma óptima reunião à barbela, com o grupo a ajudar em bloco. 

O Diogo Gromicho foi chamado para pegar o segundo novilho da noite que estava bem apresentado, com cara e trapio.
Na sua primeira tentativa, o novilho investiu solto, e o Diogo também não se conseguiu dobrar o suficiente no momento de reunião.
Já na segunda tentativa, realizou uma boa reunião e o grupo ajudou muito bem, concretizando uma boa pega.
De notar a calma que o Diogo teve durante toda a pega, mostrando bastante confiança e à vontade dentro de praça.

Queria também dar meus parabéns aos elementos André Silva, Manuel Queiroz e ao João Freitas, pela primeira vez que se fardavam pelo grupo e, esperemos que seja muitas mais vezes. 

Por fim penso que a prestação dos juvenis em Albufeira foi muito positiva, mostrou que o futuro do grupo tem muita qualidade e, está mais do que garantido.

Pelo Aposento da Moita vai a cima

Vai a baixo

Vai ao centro e bota a baixo!


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Crónica da corrida das Caldas da Rainha...por João Francisco Ilaco

Noite de toiros com 6 cavaleiros e um curro da ganadaria Canas Vigouroux. 

A corrida estava com 2/3 de publico e tudo estava perfeito para uma bela noite de toiros, sendo que o Aposento da Moita teve uma atuação menos feliz.

Sempre me lembro no mundo do toiros que a exceção não faz a regra, mas a exceção não faz parte do livro de toiros do AP Moita. 

Óbvio que os toiros não ajudaram, pois o seu peso não correspondia ao trapio e por vezes faltava mesmo poder e bravura dos mesmos por não poderem, mas eram francos e não tinham qualquer maldade.

No primeiro toiro da noite (570kg) e como grupo mais velho em praça, a contracenar com o GFA das Caldas da Rainha, foi a vez do Aposento da Moita pelo forcado João Ventura, que vinha de uma dobra sofrida em Coruche. O mesmo mas não pareceu nervoso, pisou os terrenos de acordo com o toiro que tinha pela frente, a ler bem, mas no momento da reunião as coisas nunca correram bem até que o mesmo foi pegado à 4ª tentativa já com o grupo carregado a sesgo.
De enaltecer a decisão do cabo Leonardo Mathias que após uma situação pouco clara na primeira tentativa, não considerou o toiro pegado. Isto sim, uma decisão dura mas muito valente, que condenou o grupo a mais três tentativas mas sem virar a cara a nada.

No terceiro toiro da noite e segundo para o Ap Moita (530Kg), Marco Ventura chamado a pegar, e infelizmente o mesmo voltava a acontecer, foram necessárias 4 tentativas para que o toiro fosse pegado mais uma vez carregado e apenas por grande dificuldade no momento da reunião. 
O primeiro ajuda Manuel Mendes acabou por ser retirado da arena na terceira tentativa deste toiro, mas sem gravidade. De realçar mais uma vez que o grupo é um todo, mas que os ajudas não tiveram qualquer influencia na concretização da pega.

Para o quinto toiro da noite e ultimo para o Ap Moita (525Kg), foi a vez de Martim Cosme Lopes, a colocar o grupo na forma que estamos habituados a ver e a fazer uma pega limpa ao primeiro intento, com decisão e vontade demonstrada desde o primeiro minuto da corrida.
De realçar as boas ajudas dos forcados Martim Afonso (nas primeiras) e António Ramalho (nas segundas) mais uma vez a contribuírem como nos têm habituado.

Uma palavra especial para os forcados de cara das pegas menos bem conseguidas, que não existem derrotas nos toiros, existem aprendizagens e momentos que o erro pode custar lesões... força meus amigos e que esses ensinamentos gerem mudança e não vos desmoralizem, mas por contrario, vos dêem motivação já para o próximo toiro!

Pelo Aposento da Moita... Vai a Cima... Mais a Cima... 

Venha a Figueira da Foz... Venham belas exibições... Venham noites e tardes de gloria...



Fotografias: Maria João Mil-homens

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Crónica da corrida da Nazaré...por Pedro Filipe

No passado sábado fomos até à Nazaré onde nos esperava o quarto compromisso da época.
Uma corrida de muita responsabilidade pois era a primeira da época naquela praça e também por ser televisionada, o que nos deixa sempre ainda mais nervosos. 
Bastava olhar para a rapaziada e percebia-se que a vontade era enorme e que estavam todos prontos para o desafio que tínhamos pela frente. 
Os toiros pertenceram a ganadaria Pinto Barreiros e partilhámos cartel com o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira .

Para o primeiro toiro da noite, com 525kg, o cabo chamou a si a responsabilidade de abrir praça pelo nosso grupo. Fê-lo muito bem, citou toureiro e brigou com o toiro até o grupo conseguir fechar, à primeira tentativa.
O nosso segundo da noite tinha 465kg e calhou ao João Gomes “Verruga”. Não acusou a pressão e provou que já é uma certeza na linha frente. Bonita pega à primeira tentativa com o grupo a conseguir fechar bem .
Para o terceiro e último, com 500kg, saltou o Martim Cosme Lopes . Chegou este ano ao grupo mas já vincou que quer o seu lugar e esta pega foi a prova disso. Fechou-se bem na cara do toiro e mais uma vez com o grupo a ajudar bem, concretizando-se a pega ao primeiro intento.
Era uma noite pela qual ansiávamos há muito e em que o grupo mostrou que está confiante, com três pegas a primeira e a pedir mais corridas. 
Seguiu-se um animadíssimo jantar, que se prolongou pela manhã como é apanágio do Aposento da Moita.

Dar um agradecimento especial aos Bombeiros Voluntários da Nazaré pela disponibilidade em nos receber para fardar.
Pelo Aposento da Moita vai a cima,
Vai a baixo,
Vai ao meio
E bota abaixo!

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Crónica da corrida de Coruche...por Bernardo Ortigão Costa

No passado dia 6 de Julho o nosso grupo foi a Coruche para a terceira corrida da temporada! Uma corrida mista de homenagem a Manel Badajoz!
Faziam parte do cartel Luís Rouxinol, Ana Batista, Manuel Telles Bastos, João Moura Jr, Nuno Casquinha e Diogo Peseiro. As pegas a cargo do grupo de Coruche e do nosso grupo e touros da ganadaria de São Torcato.
Para pegar o nosso primeiro touro o cabo Leonardo Mathias escolheu o forcado João Ventura para pegar, Manuel Mendes para dar primeiras, António Ramalho e Rúben Serafim nas segundas, Luís Fera a rabejar, Pedro Santiago, José Maria Ribeiro da Costa e eu para dar terceiras. Há que referir que o touro durante a lide colheu a cavaleira Ana Batista com alguma gravidade tendo recolhido à enfermaria não sendo por isso o touro lidado até ao fim. Toca para a pega e o grupo faz o seu brinde a António Badajoz irmão do homenageado, tudo normal até agora mas eis senão quando o touro investe na trincheira partindo um corno e por ordem do director de corrida não pode ser pegado! Sendo o director de corrida a autoridade máxima numa praça de touros têm que se respeitar as suas decisões...


Em relação ao nosso segundo e último touro o cabo voltou a escolher o mesmo grupo para a pega. João Ventura faz uma primeira tentativa e sai da cara do touro antes da entrada oportuna dos ajudas tendo o touro sido bastante violento. Na sua segunda tentativa fica desmaiado sendo dobrado por Luís Fera que faz mais duas duras tentativas ficando também ele desmaiado numa altura em que o touro continuava a não querer dar tréguas e a ser muito duro. Para dobrar o Luís Fera veio o cabo Leonardo Mathias que o pegou a sesgo.


Acabava assim a prestação do nosso grupo que não foi de longe como queríamos. Contudo o grupo nunca virou a cara à luta e resolveu da forma possível e mais digna a situação. Queremos sempre pegar os touros à primeira mas nem sempre é possível, como ficou bem patente nesta corrida o touro é quem manda.

Em relação aos lesionados o João Ventura já se encontra em casa desde a madrugada de domingo estando já recuperado.
O Luís Fera felizmente já está melhor, estando ainda internado no hospital de São José mas a melhorar significativamente... 

Ao João Moura Jr. uma palavra de força neste momento pela perda do seu cavalo e à cavaleira Ana Batista que recupere rápido do enorme susto que sofreu!

Acabo assim esta crónica agradecendo e enaltecendo o forcado Luís Fera, são poucas e difíceis de escolher as palavras para descrever o que faz, o quanto gosta e dá pelo grupo. Um verdadeiro exemplo para todos nós ... muito obrigado Ferinha !


Pelo Aposento da Moita vai a cima...


Agradecimento- Fotos Tiago Caeiro Caeiro pela reportagem

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Crónica da Moita...por João Vasco Ventura

Apesar de já chegar com alguns dias de atraso, fruto de algum trabalho acumulado, foi com enorme satisfação que acatei o pedido de escrever a crónica da corrida da nossa terra, e são dias como o de 26 de Maio que nos enchem o coração de orgulho.

O curro de toiros da mítica ganadaria Palha adivinhava-se sério, com pesos compreendidos entre os 470 e os 580 kilos. No geral deram um bom jogo para as lides a cavalo, com especial destaque para o último e mais pesado da corrida (580 kilos), lidado por Luis Rouxinol Jr. proporcionando uma lide alegre e com emoção, chegando com força ao público que nesse dia preenchia cerca de ¾ de casa da Daniel do Nascimento.

No que diz respeito à parte de pegar toiros, foi uma tarde redonda para todos. Foram caras pelo nosso grupo o Cabo Leonardo Mathias, João Vasco Ventura e Martim Cosme Lopes. Todas as pegas foram efetuadas ao primeiro intento, com brio e mérito de cada um dos 8 elementos dentro de praça.
Para o primeiro toiro da nossa ordem, com 520 kilos, abriu praça o Cabo. Gesto enorme de valentia, de querer e de exemplo para com o resto do grupo. Citou sereno, com todos os tempos que uma verdadeira pega de caras exigem. Tive a felicidade de ser eu próprio a colocar o toiro, sendo que tal me permite escrever que desde o momento que o “Tato” colocou o barrete na cabeça, tive a certeza absoluta que seria uma pega cheia de alma. Citou, templou e mandou! O toiro arrancou franco, com pata, e após uma reunião perfeita com o forcado da cara, efetuou a viagem com a cara no ar. O grupo ajudou em bloco, como em todas as outras pegas, sendo que a nível pessoal, grande parte do mérito da corrida vai para eles.

Para o segundo toiro da corrida, com 500 kilos, o cabo delegou-me a responsabilidade de o pegar. Não irei falar sobre mim, mas sim sobre o grupo de 7 irmãos que foram comigo para a “batalha”. Com uma primeira ajuda de luxo por parte do Manuel Mendes, dois pilares como o António Ramalho e o Zé Maria Ribeiro da Costa, e uma “muralha da China” com o Bernardo Ortigão Costa, o Pedro Santiago e o Duarte Roxo, a pega resolveu-se logo na primeira tentativa. Realço ainda a experiência e segurança que um rabejador como o Luis Fera transmite, tornando tudo ainda mais fácil. O meu “Olé” para os 7.

Para o último touro da corrida, o mais pesado e sério, o cabo apostou. E apostou certo. Vindo recentemente de outro grupo, o Martim foi chamado à responsabilidade. Creio que não esperava, mas também sempre nos foi incutido que a partir do momento em que estamos fardados, temos de estar prontos para tudo. E o Martim provou que estava. Citou sereno, ganhando terreno ao toiro, prevendo uma reunião dura. E foi. Este arrancou a “mil à hora”, colocou a cara alta e juntamente com o Martim protagonizaram uma pega vistosa. Fugiu ao grupo, sendo ajudado de forma GIGANTE pelo Martim Afonso Carvalho, sendo que foi parado nas 3ªs ajudas, já junto às tábuas. Creio que não podia ter havido melhor estreia para o Martim com a jaqueta do Aposento da Moita, pelo que desejo que esta tenha sido a primeira de muitas pegas com o peso de 44 anos de história.

Deixo também uma palavra de apreço pelo grupo de Vila Franca, que teve o gesto de nos brindar o primeiro toiro deles, bem como pela excelente prestação que tiveram em praça, concretizando igualmente 3 pegas à primeira tentativa.

A celebração da corrida foi protagonizada numa casa que nos é muito querida. Jantar à “antiga” na Casa das Enguias, onde o Tó Manel nos acolheu de braços abertos.

Pelo Aposento da Moita vai acima, vai abaixo, vai ao meio....e bota abaixo!

João Vasco Ventura


segunda-feira, 27 de maio de 2019

sábado, 25 de maio de 2019

Parabéns Aposento da Moita!

O Grupo de Forcados do Aposento da Moita está hoje de parabéns.

Há precisamente 44 anos, era feita a apresentação pública de um novo grupo de forcados, de uma família.

Foi em "casa", na Praça de Toiros Daniel do Nascimento, que o Aposento da Moita fez a sua estreia.

Têm sido 44 anos a levar e elevar o nome da Moita por todo o país, assim como por vários pontos do mundo, sendo também uma bandeira de Portugal no estrangeiro.

Amanhã, na Daniel do Nascimento, será o dia para celebrar e não haverá melhor forma de o fazer do que ter toda a família reunida e unida.
Amanhã será dia de juntar na mesma praça os elementos que "hoje" levam na pele as ramagens do Aposento da Moita, com aqueles que um dia já envergaram a jaqueta do grupo.

Obrigado a todos os que um dia vestiram e tudo fizeram por honrar a jaqueta do Aposento da Moita.

Parabéns G.F.A. Aposento da Moita!

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Fim de semana de preparação para a Feira de Maio

Este fim de semana será de intensa actividade (de preparação) para os forcados do Aposento da Moita, tendo em vista a corrida de dia 26 de Maio, na Feira de Maio da Moita.

No sábado (18 Maio), haverá treino na Quinta Elvita (Évora), propriedade do toureiro Paco Velasquez. O treino tem inicio agendado para as 15h.

No domingo (19 de Maio), às 10h30m será dia de treino no Centro Equestre António Ribeiro Telles (Biscaínho-Coruche).

Estão convidados todos os forcados retirados, assim como todos os amigos do grupo.


quarta-feira, 8 de maio de 2019

Crónica de Almeirim...por Martim Afonso Carvalho

Almeirim! Terra onde o Aposento da Moita tem tantos toiros pegados e tanta história escrita. Era a primeira corrida da temporada, a primeira corrida do Tato como cabo, reinauguração da praça de Almeirim, bancadas cheias, um cartel de primeira linha, e partilhávamos a teia com o único grupo centenário em Portugal. Não posso dizer que levávamos o mundo às costas, mas pelo menos uma boa remessa de pedras para se pôr na sopa da pedra do jantar a seguir, isso de certeza.

Nesta tarde tínhamos para pegar dois toiros de Vale Sorraia, rematados e bem apresentados, e um novilho de David R.Telles, linha antiga. A nova Arena d'Almeirim tinha um ar pouco castiço no exterior, mas estava bem arranjada por dentro, com a lotação quase esgotada e um sol quente de Maio para apimentar a festa. Na trincheira ao nosso lado, tínhamos os quatro cabos mais velhos do grupo para aconselhar, algo que não me lembro de ter visto na minha carreira como forcado. Tudo pronto para a festa dos toiros.

Para começar calhou-nos em sorteio o maior toiro da tarde, 585kg com pata e bravura que prenunciavam uma pega séria. O novo cabo escolheu o grupo, agarrou no barrete e chamou a si a responsabilidade de o pegar. Sem lesões ou outras baixas, o melhor do grupo estava ali. O Aposento da Moita era aquilo. Se corresse bem, era aquilo. Se corresse mal, era aquilo também... Correu bem. O Tato foi buscar o toiro um pouco mais acima do que se previa, teve um momento de reunião impecável, o grupo esteve firme a ajudar, e o toiro foi pegado à primeira tentativa, como é costume quando as coisas são bem feitas.

O segundo toiro da tarde tinha 555kg, mas parecia ser menos áspero e fazia prever uma pega mais em conta do que a anterior. Não obstante, tínhamos imperativamente de estar por cima e por isso pouco se inventou. Chamado a agarrar no barrete foi o Salvador Pinto Coelho, forcado já com vários anos de grupo mas que veio de uma lesão que o afastou dos "relvados" por mais de um ano. Vinha com aquele incómodo no coração que toda a gente tem quando volta de uma lesão, mas que uns mostram mais do que outros, e o Salvador mostrou-o na primeira tentativa. Levou uma sapatada, acordou, e na segunda tentativa fez aquilo que sempre soube fazer, com o grupo novamente a ajudar bem, e o toiro foi pegado.

O último da tarde era um novilho com 400kg, toureado pelo António R. Telles, filho. Noutra corrida isto seria oportunidade para uma estreia, mas como o grupo queria deixar um cunho de confiança o cabo escolheu o João Gomes (Verruga) para pegar que, já começando a ter alguma experiência, é sem dúvida uma das apostas para esta época. Sereno, bonito e eficaz, fez aquilo que lhe era pedido, e o novilho foi pegado à primeira.

Não podia deixar de dar uma palavra de apreço ao Luís Fera, velha glória do Aposento da Moita, que se ofereceu para se voltar a fardar esta época com o grupo, quando sentiu que podia ser uma mais valia.

Pelo Aposento da Moita, vai a cima, vai a baixo, vai ao centro e bota a baixo.

Martim Afonso Carvalho

Fotografias: Sofia Almeida