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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Crónica da corrida na Figueira da Foz...por Sérgio Tente

Foi com enorme expectativa que estive no passado sábado, dia 10 de Agosto na Figueira da Foz para assistir a mais um tradicional espetáculo taurino de verão no Coliseu Figueirense.
Expectativa essa criada acima de tudo pelo facto de no cartel deste espetáculo estar o “meu” grupo de forcados, o Aposento da Moita.

O facto de ainda não ter tido oportunidade de assistir ao vivo a uma atuação do Aposento da Moita nesta temporada de 2019 fazia deste dia um dia particularmente especial já que pessoalmente tinha muita curiosidade em ver como estava o grupo dentro e fora de praça.

Ficou estipulado em conversa com o cabo Leonardo Mathias que o grupo se fardaria em minha casa e esse fator é sempre um enorme motivo de satisfação porque é a melhor forma de podermos criar laços com os elementos que conhecemos menos bem e ver quais as ganas do grupo horas antes de enfrentarem mais uma corrida que neste caso era como as anteriores de enorme responsabilidade.

Um cartel composto por 6 cavaleiros (Rui Salvador, Ana Batista, João Moura Caetano, Andrés Romero, David Gomes e António Prates) e por dois dos melhores grupos de forcados da atualidade (o Grupo de Forcados Amadores de Montemor e o Grupo de Forcados Amadores do Aposento da Moita) frente a um sério curro da ganadaria de Falé Filipe.

Começando a minha crónica propriamente dita recuamos à fardamenta para dizer que senti naquelas cerca de 5 horas antes do inicio da corrida um misto de enorme satisfação por poder estar ali com a rapaziada toda, sentir o que eles sentiam relativamente à responsabilidade da corrida, perceber o ambiente que o grupo tem internamente e também com que “matéria-prima” se rege o grupo atualmente e ao mesmo tempo alguns nervos porque comecei a viver o sentimento de responsabilidade daquela corrida.

Já com o sorteio realizado e com o conhecimento do nosso lote rumámos a casa para começar a reunir todos os elementos e começar o derradeiro foco na corrida. Durante este período e à medida que foram chegando os elementos ativos aproveitei para saber nomes, perceber o estatuto de cada um no grupo, aquilo que habitualmente fazem em praça e foi durante este período que comecei a perceber que existe um ambiente extremamente saudável entre os elementos do grupo. Apesar de se saber já que pegaríamos o maior toiro da corrida não foi isso que fez com que os constantes sorrisos e brincadeiras esmorecessem entre a rapaziada.
Educação, simpatia, noção do que é ser forcado fora de praça com um elevado grau de educação entre mais velhos e mais novos percebi imediatamente que o trabalho do cabo e dos elementos mais velhos estava a ser muito bem feito e este foi o primeiro ponto que me deixou muitíssimo agradado com a postura de todos os elementos.

Na hora de fardar e com a maioria dos forcados ativos presentes proferiu o cabo as palavras que achou serem as mais indicadas para a corrida desse dia e suas caraterísticas. Frisando a entrega de todos naquela que poderia ser uma noite dura já que como sabemos a ganadaria de Falé Filipe pode sair bastante dura e exigente para os forcados. Vi um grupo muito atento às palavras do seu cabo e vi um cabo focadíssimo em ter uma noite de triunfo, pedindo a todos os elementos uma entrega total. Percebia-se pela atitude e pelos olhos de muitos que “bebiam” as palavras do cabo e notava-se uma ansiedade tremenda em que chegasse o momento.

Escolhidos os elementos para se fardarem continuava a reinar uma união muito grande entre todos e percebi aqui que de facto a ideia que tinha do grupo sem ter aparecido era completamente diferente daquilo que via acontecer ali com um grupo que mesmo não tendo uma enormidade de elementos para fardar tinha os elementos suficientes para honrar o Aposento da Moita da mesma forma que muitos outros já o fizeram durante 44 anos da sua história.

Num aparte frisar que achei extraordinário assistir a um ritual que desconhecia de todo que foi depois de já estarem fardados os elementos juntarem-se e rezarem juntos, pura e simplesmente lindo! 
Para a corrida tive o enorme privilégio de ter recebido do Leonardo Mathias um convite para estar na trincheira com o grupo. Aceitei a senha num misto de orgulho, apreensão e responsabilidade já que ali em baixo se passa muita coisa e à que saber lá estar.

Pelas 22 horas começou a corrida com uma moldura humana interessante e expectante por um bom espetáculo de toiros.
Na trincheira vi muita concentração e muita camaradagem. A atenção de todos foi uma constante nos três toiros que nos calharam em sorte assim como aos toiros para o grupo de Montemor o que me encantou já que acho muito importante saber ver e interpretar todos os momentos da lide de um toiro e todas as caraterísticas porque cada toiro é um toiro.

O primeiro toiro que tocou em sorte ao Aposento da Moita acabou por ser o sobrero da corrida já que o primeiro toiro saiu à praça diminuído e foi dada ordem de recolha por parte do diretor de corrida. 
Assim sendo o nosso primeiro toiro foi o sobrero da corrida pesava 450kg, tinha 4 anos e era o único da ganadaria de Santos Silva. Apesar de ter pouca cara e uma córnea bastante pequena este toiro pelo seu comportamento durante a lide prometia dar uma pega bonita. Para a cara deste primeiro toiro o cabo Leonardo Mathias escolheu o Fábio Matos. Desde que saltou para a arena até ter a pega consumada à primeira tentativa o Fábio fez tudo bem. A pega começa desde que se salta para a arena e a forma como ele pisou a arena foi irrepreensível. A atitude que teve frente ao toiro, com postura e a mandar fizeram que os diferentes tempos o fizessem citar, mandar e templar de forma perfeita. Resultou numa pega bonita à primeira tentativa com o grupo a reagir atempadamente e a ajudar bem.

O nosso segundo toiro (quarto da corrida), este já da ganadeira de Falé Filipe era o maior da corrida. Pesava 585kg, tinha também 4 anos de idade e um trapio respeitável. Apesar do seu tamanho e poder este segundo toiro mostrou durante a lide um comportamento interessante e prometia dar um pegão desde que se estivesse bem com ele. Para a cara deste toiro o cabo escolheu o Martim Cosme, forcado que este ano tem feito muito boas pegas mostrando ao cabo que é um elemento que está em grande forma. A sua vontade e maturidade fizeram com que pisasse a arena com ganas de brilhar e de pegar o toiro à primeira. Infelizmente na primeira tentativa quando recuava na cara do toiro acabou por escorregar e cair não tendo a mínima hipótese de consumar aqui a pega. Na segunda tentativa carregou com alma fechando-se bem e tendo sido exemplarmente ajudado pelo Martim Afonso que deu uma primeira ajuda de antologia assim como o restante grupo que ajudou muito bem e concretizou a pega nesta segunda tentativa.
Volta ao forcado da cara e ao primeiro ajuda (merecidíssima) .

O nosso terceiro toiro (sexto e ultimo da corrida) também da ganadaria de Falé Filipe pesava 490kg (na minha opinião tinha mais) tinha também 4 anos e saiu mais reservadote. Durante a lide mostrou bom comportamento e prometia uma boa pega como os demais.
Para este toiro o Leonardo Mathias escolheu o João Gomes que pegou à segunda tentativa. Na primeira tentativa esteve muito bem em frente ao toiro, recuou e fechou-se com alma mas acabou por sair no segundo derrote o que foi uma pena. Na segunda tentativa mais uma vez esteve tremendo em frente ao toiro, pisou terrenos de compromisso e como se costuma dizer esteva algum tempo a ganhar coração já que o toiro tardou em arrancar-se estando já o João muito perto do toiro. Quando o toiro arrancou o forcado da cara sacou-se muito bem e teve uma ótima reunião sendo depois muito bem ajudado pelo grupo.

Foi uma belíssima noite de toiros na Figueira da Foz e o Aposento da Moita realizou sem dúvida uma atuação que honra os seus pergaminhos.

Sem nenhum forcado lesionado (o que é o mais importante) realizou-se o jantar do grupo onde reinou um ambiente de muita alegria o que mostrava claramente o amor que esta geração tem pelo grupo e pela forma como tenta sempre honrar a nossa jaqueta de ramagens.

Presença dos forcados antigos Manuel Duque (ex-cabo), Bernardo Cardoso, José Maria Ferreira e José Henriques e de algumas namoradas de elementos do grupo o que enriquece e muito estes jantares.

Sinto-me extremamente orgulhoso pelo que vi e senti. Grande grupo, grande ambiente!
Pelo Aposento da Moita vai acima….
Sérgio Tente

Fotografias: João Dinis e Monica Mendes

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Crónica da novilhada em Albufeira...por Manuel Mendes

Foi o 6° espectáculo do nosso grupo esta temporada, em que desta vez foram os juvenis do Aposento da Moita a pegar uma novilhada na praça de toiros de Albufeira.

Com um cartel de dois cavaleiros praticantes (Nelson Limas e Manuel de Oliveira), a novilheira Maria del Mar, e os novilhos da ganadaria Fernando dos Santos.



A exigência era máxima e o sentimento de responsabilidade era grande, era necessário dar mais opções ao cabo para o resto da temporada. 


O primeiro novilho da noite, foi chamado à responsabilidade o forcado Filipe Santos a um novilho com pouca cara mas, com uma boa apresentação.
O Filipe citou a meia praça, o novilho investe solto, tendo que aguentar essa mesma investida, e efectuando uma óptima reunião à barbela, com o grupo a ajudar em bloco. 

O Diogo Gromicho foi chamado para pegar o segundo novilho da noite que estava bem apresentado, com cara e trapio.
Na sua primeira tentativa, o novilho investiu solto, e o Diogo também não se conseguiu dobrar o suficiente no momento de reunião.
Já na segunda tentativa, realizou uma boa reunião e o grupo ajudou muito bem, concretizando uma boa pega.
De notar a calma que o Diogo teve durante toda a pega, mostrando bastante confiança e à vontade dentro de praça.

Queria também dar meus parabéns aos elementos André Silva, Manuel Queiroz e ao João Freitas, pela primeira vez que se fardavam pelo grupo e, esperemos que seja muitas mais vezes. 

Por fim penso que a prestação dos juvenis em Albufeira foi muito positiva, mostrou que o futuro do grupo tem muita qualidade e, está mais do que garantido.

Pelo Aposento da Moita vai a cima

Vai a baixo

Vai ao centro e bota a baixo!


quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Crónica da corrida das Caldas da Rainha...por João Francisco Ilaco

Noite de toiros com 6 cavaleiros e um curro da ganadaria Canas Vigouroux. 

A corrida estava com 2/3 de publico e tudo estava perfeito para uma bela noite de toiros, sendo que o Aposento da Moita teve uma atuação menos feliz.

Sempre me lembro no mundo do toiros que a exceção não faz a regra, mas a exceção não faz parte do livro de toiros do AP Moita. 

Óbvio que os toiros não ajudaram, pois o seu peso não correspondia ao trapio e por vezes faltava mesmo poder e bravura dos mesmos por não poderem, mas eram francos e não tinham qualquer maldade.

No primeiro toiro da noite (570kg) e como grupo mais velho em praça, a contracenar com o GFA das Caldas da Rainha, foi a vez do Aposento da Moita pelo forcado João Ventura, que vinha de uma dobra sofrida em Coruche. O mesmo mas não pareceu nervoso, pisou os terrenos de acordo com o toiro que tinha pela frente, a ler bem, mas no momento da reunião as coisas nunca correram bem até que o mesmo foi pegado à 4ª tentativa já com o grupo carregado a sesgo.
De enaltecer a decisão do cabo Leonardo Mathias que após uma situação pouco clara na primeira tentativa, não considerou o toiro pegado. Isto sim, uma decisão dura mas muito valente, que condenou o grupo a mais três tentativas mas sem virar a cara a nada.

No terceiro toiro da noite e segundo para o Ap Moita (530Kg), Marco Ventura chamado a pegar, e infelizmente o mesmo voltava a acontecer, foram necessárias 4 tentativas para que o toiro fosse pegado mais uma vez carregado e apenas por grande dificuldade no momento da reunião. 
O primeiro ajuda Manuel Mendes acabou por ser retirado da arena na terceira tentativa deste toiro, mas sem gravidade. De realçar mais uma vez que o grupo é um todo, mas que os ajudas não tiveram qualquer influencia na concretização da pega.

Para o quinto toiro da noite e ultimo para o Ap Moita (525Kg), foi a vez de Martim Cosme Lopes, a colocar o grupo na forma que estamos habituados a ver e a fazer uma pega limpa ao primeiro intento, com decisão e vontade demonstrada desde o primeiro minuto da corrida.
De realçar as boas ajudas dos forcados Martim Afonso (nas primeiras) e António Ramalho (nas segundas) mais uma vez a contribuírem como nos têm habituado.

Uma palavra especial para os forcados de cara das pegas menos bem conseguidas, que não existem derrotas nos toiros, existem aprendizagens e momentos que o erro pode custar lesões... força meus amigos e que esses ensinamentos gerem mudança e não vos desmoralizem, mas por contrario, vos dêem motivação já para o próximo toiro!

Pelo Aposento da Moita... Vai a Cima... Mais a Cima... 

Venha a Figueira da Foz... Venham belas exibições... Venham noites e tardes de gloria...



Fotografias: Maria João Mil-homens

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Crónica da corrida da Nazaré...por Pedro Filipe

No passado sábado fomos até à Nazaré onde nos esperava o quarto compromisso da época.
Uma corrida de muita responsabilidade pois era a primeira da época naquela praça e também por ser televisionada, o que nos deixa sempre ainda mais nervosos. 
Bastava olhar para a rapaziada e percebia-se que a vontade era enorme e que estavam todos prontos para o desafio que tínhamos pela frente. 
Os toiros pertenceram a ganadaria Pinto Barreiros e partilhámos cartel com o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira .

Para o primeiro toiro da noite, com 525kg, o cabo chamou a si a responsabilidade de abrir praça pelo nosso grupo. Fê-lo muito bem, citou toureiro e brigou com o toiro até o grupo conseguir fechar, à primeira tentativa.
O nosso segundo da noite tinha 465kg e calhou ao João Gomes “Verruga”. Não acusou a pressão e provou que já é uma certeza na linha frente. Bonita pega à primeira tentativa com o grupo a conseguir fechar bem .
Para o terceiro e último, com 500kg, saltou o Martim Cosme Lopes . Chegou este ano ao grupo mas já vincou que quer o seu lugar e esta pega foi a prova disso. Fechou-se bem na cara do toiro e mais uma vez com o grupo a ajudar bem, concretizando-se a pega ao primeiro intento.
Era uma noite pela qual ansiávamos há muito e em que o grupo mostrou que está confiante, com três pegas a primeira e a pedir mais corridas. 
Seguiu-se um animadíssimo jantar, que se prolongou pela manhã como é apanágio do Aposento da Moita.

Dar um agradecimento especial aos Bombeiros Voluntários da Nazaré pela disponibilidade em nos receber para fardar.
Pelo Aposento da Moita vai a cima,
Vai a baixo,
Vai ao meio
E bota abaixo!

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Crónica da corrida de Coruche...por Bernardo Ortigão Costa

No passado dia 6 de Julho o nosso grupo foi a Coruche para a terceira corrida da temporada! Uma corrida mista de homenagem a Manel Badajoz!
Faziam parte do cartel Luís Rouxinol, Ana Batista, Manuel Telles Bastos, João Moura Jr, Nuno Casquinha e Diogo Peseiro. As pegas a cargo do grupo de Coruche e do nosso grupo e touros da ganadaria de São Torcato.
Para pegar o nosso primeiro touro o cabo Leonardo Mathias escolheu o forcado João Ventura para pegar, Manuel Mendes para dar primeiras, António Ramalho e Rúben Serafim nas segundas, Luís Fera a rabejar, Pedro Santiago, José Maria Ribeiro da Costa e eu para dar terceiras. Há que referir que o touro durante a lide colheu a cavaleira Ana Batista com alguma gravidade tendo recolhido à enfermaria não sendo por isso o touro lidado até ao fim. Toca para a pega e o grupo faz o seu brinde a António Badajoz irmão do homenageado, tudo normal até agora mas eis senão quando o touro investe na trincheira partindo um corno e por ordem do director de corrida não pode ser pegado! Sendo o director de corrida a autoridade máxima numa praça de touros têm que se respeitar as suas decisões...


Em relação ao nosso segundo e último touro o cabo voltou a escolher o mesmo grupo para a pega. João Ventura faz uma primeira tentativa e sai da cara do touro antes da entrada oportuna dos ajudas tendo o touro sido bastante violento. Na sua segunda tentativa fica desmaiado sendo dobrado por Luís Fera que faz mais duas duras tentativas ficando também ele desmaiado numa altura em que o touro continuava a não querer dar tréguas e a ser muito duro. Para dobrar o Luís Fera veio o cabo Leonardo Mathias que o pegou a sesgo.


Acabava assim a prestação do nosso grupo que não foi de longe como queríamos. Contudo o grupo nunca virou a cara à luta e resolveu da forma possível e mais digna a situação. Queremos sempre pegar os touros à primeira mas nem sempre é possível, como ficou bem patente nesta corrida o touro é quem manda.

Em relação aos lesionados o João Ventura já se encontra em casa desde a madrugada de domingo estando já recuperado.
O Luís Fera felizmente já está melhor, estando ainda internado no hospital de São José mas a melhorar significativamente... 

Ao João Moura Jr. uma palavra de força neste momento pela perda do seu cavalo e à cavaleira Ana Batista que recupere rápido do enorme susto que sofreu!

Acabo assim esta crónica agradecendo e enaltecendo o forcado Luís Fera, são poucas e difíceis de escolher as palavras para descrever o que faz, o quanto gosta e dá pelo grupo. Um verdadeiro exemplo para todos nós ... muito obrigado Ferinha !


Pelo Aposento da Moita vai a cima...


Agradecimento- Fotos Tiago Caeiro Caeiro pela reportagem

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Crónica da Moita...por João Vasco Ventura

Apesar de já chegar com alguns dias de atraso, fruto de algum trabalho acumulado, foi com enorme satisfação que acatei o pedido de escrever a crónica da corrida da nossa terra, e são dias como o de 26 de Maio que nos enchem o coração de orgulho.

O curro de toiros da mítica ganadaria Palha adivinhava-se sério, com pesos compreendidos entre os 470 e os 580 kilos. No geral deram um bom jogo para as lides a cavalo, com especial destaque para o último e mais pesado da corrida (580 kilos), lidado por Luis Rouxinol Jr. proporcionando uma lide alegre e com emoção, chegando com força ao público que nesse dia preenchia cerca de ¾ de casa da Daniel do Nascimento.

No que diz respeito à parte de pegar toiros, foi uma tarde redonda para todos. Foram caras pelo nosso grupo o Cabo Leonardo Mathias, João Vasco Ventura e Martim Cosme Lopes. Todas as pegas foram efetuadas ao primeiro intento, com brio e mérito de cada um dos 8 elementos dentro de praça.
Para o primeiro toiro da nossa ordem, com 520 kilos, abriu praça o Cabo. Gesto enorme de valentia, de querer e de exemplo para com o resto do grupo. Citou sereno, com todos os tempos que uma verdadeira pega de caras exigem. Tive a felicidade de ser eu próprio a colocar o toiro, sendo que tal me permite escrever que desde o momento que o “Tato” colocou o barrete na cabeça, tive a certeza absoluta que seria uma pega cheia de alma. Citou, templou e mandou! O toiro arrancou franco, com pata, e após uma reunião perfeita com o forcado da cara, efetuou a viagem com a cara no ar. O grupo ajudou em bloco, como em todas as outras pegas, sendo que a nível pessoal, grande parte do mérito da corrida vai para eles.

Para o segundo toiro da corrida, com 500 kilos, o cabo delegou-me a responsabilidade de o pegar. Não irei falar sobre mim, mas sim sobre o grupo de 7 irmãos que foram comigo para a “batalha”. Com uma primeira ajuda de luxo por parte do Manuel Mendes, dois pilares como o António Ramalho e o Zé Maria Ribeiro da Costa, e uma “muralha da China” com o Bernardo Ortigão Costa, o Pedro Santiago e o Duarte Roxo, a pega resolveu-se logo na primeira tentativa. Realço ainda a experiência e segurança que um rabejador como o Luis Fera transmite, tornando tudo ainda mais fácil. O meu “Olé” para os 7.

Para o último touro da corrida, o mais pesado e sério, o cabo apostou. E apostou certo. Vindo recentemente de outro grupo, o Martim foi chamado à responsabilidade. Creio que não esperava, mas também sempre nos foi incutido que a partir do momento em que estamos fardados, temos de estar prontos para tudo. E o Martim provou que estava. Citou sereno, ganhando terreno ao toiro, prevendo uma reunião dura. E foi. Este arrancou a “mil à hora”, colocou a cara alta e juntamente com o Martim protagonizaram uma pega vistosa. Fugiu ao grupo, sendo ajudado de forma GIGANTE pelo Martim Afonso Carvalho, sendo que foi parado nas 3ªs ajudas, já junto às tábuas. Creio que não podia ter havido melhor estreia para o Martim com a jaqueta do Aposento da Moita, pelo que desejo que esta tenha sido a primeira de muitas pegas com o peso de 44 anos de história.

Deixo também uma palavra de apreço pelo grupo de Vila Franca, que teve o gesto de nos brindar o primeiro toiro deles, bem como pela excelente prestação que tiveram em praça, concretizando igualmente 3 pegas à primeira tentativa.

A celebração da corrida foi protagonizada numa casa que nos é muito querida. Jantar à “antiga” na Casa das Enguias, onde o Tó Manel nos acolheu de braços abertos.

Pelo Aposento da Moita vai acima, vai abaixo, vai ao meio....e bota abaixo!

João Vasco Ventura


domingo, 7 de outubro de 2018

Crónica de Alcácer do Sal


Numa tarde de outono veraneante, a praça de toiros João Branco Núncio, em Alcácer do Sal, preencheu cerca de meia casa (principalmente no lado da sombra).
O Aposento da Moita partilhou cartel com os Amadores de Montemor, para enfrentar toiros da ganadaria Jorge Mendes.

Os toiros pisaram todos a arena com muita pata (à excepção do primeiro), mas rapidamente foram gastando as “pilhas”.

Ao Aposento da Moita estavam destinados os 2º, 4º e 6º toiros, com pesos de 500kg, 550kg e 555Kg, respectivamente.

Para o primeiro toiro do lote “moitense” foi escolhido o forcado João Gomes, que brindou ao público e iniciou um cite bonito, mostrou-se ao toiro e no momento da reunião aguentou ao limite para se fechar à córnea com o restante grupo a ser coeso nas ajudas.

Para a cara do primeiro toiro da segunda metade da corrida foi o forcado Leonardo Mathias, que citou bem, colocou o toiro com ele, mas no momento da reunião o toiro “despachou” o forcado que se tentou fechar à córnea.
Na segunda tentativa, novamente bem no cite, novamente o forcado a fechar-se à córnea e o toiro não derrotou, mas empurrou até às tábuas, local onde a pega pôde finalmente ser consumada.
A fechar a tarde/noite, Martim Afonso Carvalho. Esteve bem a citar o toiro, com a calma que o caracteriza, reuniu bem com um toiro que marrou baixo e fechou-se na perfeição para não mais sair. Este último toiro também empurrou, deixou ajudas pelo caminho, tendo a pega sido consumada nas tábuas.

Os três toiros foram rabejados por Fábio Matos.


João Bão

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Crónica da corrida da Feira da Moita 2018

A corrida de quinta feira nocturna da Moita é, por norma, o ponto alto da temporada do Aposento da Moita. Numa temporada em que (estranhamente) as oportunidades não têm sido muitas, esta seria uma (espécie de) prova de fogo.

A confiança entre os elementos do grupo era enorme e não estavam errados, pois a noite foi de triunfo.

Numa “Daniel do Nascimento” cheia (mas não esgotada), o cabo José Maria Bettencourt deu o exemplo e foi para a cara do primeiro “Passanha” da noite.
Começou o cite dando mais de meia praça ao oponente, citou com classe, autoritário a colocar o toiro consigo. Ao carregar a sorte, o toiro arrancou, humilhou e permitiu que o José Maria se fechasse à barbela, efectivando assim a primeira pega da noite.

Para a cara do segundo toiro foi escolhido o jovem Marcos Prata.
O “franzino” Marcos foi decidido e confiante para a cara do toiro que no momento da reunião parece ter feito um “estranho”, mas a vontade de lá ficar era imensa.
Fechou-se à córnea, aguentou ser arrastado pela arena, aguentou um forte derrote e manteve-se sempre agarrado à córnea do toiro, com o grupo a ajudar de forma eficaz. Estava assim consumada a primeira pega do Marcos com a jaqueta do Aposento da Moita, saindo no entanto lesionado.

Para fechar a primeira parte da corrida, havia o terceiro toiro para pegar, tendo sido escolhido o (já) experiente João Ventura.
O João foi com vontade de “despachar” a sorte e tentou ter o toiro com ele desde início. O toiro que parecia ter fixado o forcado, acabou por se desinteressar, tendo o João que voltar a captar a atenção do hastado. Depois de o conseguir, não houve sequer oportunidade para carregar, pois o toiro arrancou-se de pronto e a pega foi exemplarmente consumada à primeira tentativa.

O quarto toiro da noite foi pegado por Leonardo Mathias, forcado experiente, já com provas dadas e que esteve elegante no cite. Na primeira tentativa tentou fechar-se à barbela, mas o toiro veio de cara por baixo e dificultou a entrada dos ajudas, deixando o forcado da cara por terra. Na segunda tentativa, com o toiro noutros terrenos, o Leonardo entrou nos terrenos do toiro, conseguiu “sacar-se” exemplarmente, e agarrou-se para não mais sair. Consumou assim à segunda tentativa com boa ajuda de Manuel Mendes.

Para o quinto toiro, duas despedidas.
O excelente ajuda (um dos melhores dos últimos anos em praças lusas) Bernardo Cardoso decidiu que era chegada a hora da despedida e quis fazê-lo na cara de um toiro. Teve como parceiro, no adeus, outro grande ajuda do grupo, José Maria Ferreira “Zó”.
O Bernardo, que além de excelente ajuda foi também óptimo cernelheiro, citou em passo rápido, mas a mostrar-se bem ao toiro. Entrou-lhe nos terrenos, recuou pouco, mas fechou-se com uma vontade enorme. Boa a ajuda do José Maria Ferreira e do restante grupo. Um adeus com chave de ouro para ambos, que deram volta à arena com o cavaleiro.

O escolhido para executar a pega ao sexto toiro foi Martim Afonso Carvalho. Um forcado polivalente, que já tinha ajudado nos cinco toiros anteriores.
O Martim esteve bem no cite e mesmo tendo tropeçado ao recuar, conseguiu fechar-se à barbela do toiro que entrou com pata pelo grupo e que só foi parado nas terceiras ajudas.

Em sétimo lugar havia um novilho para pegar e o escolhido foi João Gomes. O João é pequeno, “franzino”, mas cheio de garra e já mostrou noutras ocasiões que é um forcado com quem se deve sempre contar.
Após uma primeira tentativa em que o novilho vai aos joelhos do forcado da cara e uma segunda onde os ajudas parecem não ter chegado a tempo, a pega acabou por ser consumada à terceira tentativa.

Nota final para Luís Fera, um “veterano” das arenas, que rabejou com mestria os 6 toiros e o novilho, sempre de sorriso no rosto, contagiando a bancada e também todo o grupo.

O grupo recebeu uma enorme ovação no fim da corrida.


João Bão


sexta-feira, 8 de junho de 2018

A corrida da Feira de Maio, por Diogo Perdigão

Inicio esta crónica com um especial agradecimento ao nosso grande amigo “Bão”, que tão simpaticamente nos acompanha sempre e dá voz e visibilidade ao grupo através do seu Blog, e que me convidou a escrever estas linhas.

A tarde era de especial emoção para mim, pois foi a última tarde que me vesti de forcado enquanto elemento activo e uma vez mais repetia-se a efeméride do aniversário do Glorioso Aposento da Moita.

Diogo Perdigão
O cartel composto por seis cavaleiros confessemos que não era o grande atractivo, mas a repetição dos toiros de Veiga Teixeira e a alternância em praça com os forcados amadores da Moita foi o que mais expectativa deixava pairar.

O grupo estava muito motivado, repleto de novos elementos, com “ganas” da oportunidade chegar, e para três deles chegou neste dia. O Marco Ventura e Filipe Santos e o Ivan tiveram a graça de se poderem fardar pela primeira vez em tão nobre praça como é a Daniel do Nascimento. Espero que continuem a valorizar e a sentirem-se sempre responsáveis pela jaqueta que vestem e que têm o peso de 43 anos aos ombros. Certamente serão bem sucedidos e o cabo Zé Maria contará convosco por muitas temporadas.

Dos três toiros que nos tocaram em sorte, o primeiro “astado” com o peso de 470kg, negro de capa, foi pegado pelo cabo José Maria Bettencourt. O exemplo vem de cima e como tão bem o conhecemos não nos espanta estes detalhes do Zé Maria. Com um cite calmo e tranquilo, com o grupo cá atrás, carregou o toiro quando decidiu, recuou ao compasso do toiro e reuniu de uma forma dura com o toiro a por a cara alta mas em que o grupo prontamente ajudou e fechou sem grandes dificuldades. Estava assim dado o exemplo com o primeiro toiro pegado à primeira tentativa.

Ao segundo toiro pegado pelo nosso grupo, saltou o Leonardo Mathias, conhecido por todos nós como Tato. Com um cite a mandar cá de trás, a deixar-se ver e a citar de frente, carregou no sítio em que quis mandar vir, recuou e reuniu com superior técnica. Bem ajudado pelo grupo, em especial nas segundas e terceiras ajudas, foi consumada a pega ao primeiro intento.

Para encerrar a nossa actuação pegou o Rúben Serafim. A vontade de fechar com chave de ouro era enorme mas tal não se verificou, resultando em seis tentativas para que o grupo tivesse a pega como consumada. O toiro cresceu, ganhou sentido e complicou a tarefa principalmente aos ajudas, terminando a pega com pouco brilhantismo de forma sesgada, mas com enorme valentia demonstrada pelo nosso “Broas”.

O prémio em disputa para a melhor pega foi entregue ao grupo rival, na sua primeira pega. Consumaram as suas duas primeiras pegas ao primeiro intento e a terceira à quinta tentativa.

E como as corridas só terminam no jantar, seguiu-se um jantar cheio de ambiente com convidados, amigos e namoradas, em que se provou que o grupo está firme e com “sede” de triunfos que certamente acontecerão vários ao longo da temporada.

Já com saudades, agora só posso garantir que continuarei por perto e a garantir que hei-de acompanhar sempre que possa o melhor grupo do mundo por estas praças fora com o orgulho imenso de ter vestido a nossa jaqueta!

Pelo Ap Moita!
Vai acima, vai abaixo
Vai ao meio e Bota abaixo!

Diogo Perdigão